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Wednesday, January 19, 2011

Um projeto e uma matéria apaixonada

Ano passado na edição de Maio, mudamos o projeto gráfico e uma das coisas novas a estudarmos era a maneira como lidaríamos com imagens.

Sim, porque ao transformamos o visual da revista, passamos a usar fotos maiores e mais estouradas, porém numa quantidade menor  (senão ficaria uma loucura dadaísta, imagine). O ponto alto desse nosso projeto é uma simplificação das informações, para uma leitura mais, digamos, dinâmica.

Uma das matérias dessa edição que eu mais gostei de produzir foi a do texto do indefectível Dagomir Marquezi, que pescou letras das músicas dos Beatles e extraiu grandes lições: O que eles tem a nos ensinar sobre viver melhor foi uma delícia de fazer.

Eu estava ausente no dia que o texto chegou (tirei o siso e fiquei em casa inchadona sonhando com a matéria) e nosso diretor de redação, que foi o jornalista responsável por editar a matéria também, primeiramente havia cogitado algo psicodélico e letras no estilo "Magical Mystery Tour".

Boa referência. No entanto, o novo projeto que estávamos implantando talvez precisasse de outro tratamento, valorizando as novas famílias tipográficas, lapidárias e sequinhas. Ai pensei com meus botões: "vamos decodificar as criações, o que se passava na cabeça dos cabeludinhos, né? E esse, fizessemos uma lobotomia nos mop-tops?"

Eu – que sou pouco beatlemaniaca – resolvi procurar o icônico ensaio de 1964 que Norman Parkinson (fotógrado inglês de moda) fez dos cabras. 
E achei a imagem do abre de matéria! Todos olhando para cima, olha que fantástico.
Para a continuação, usamos como inspiração o álbum Revolver. Pedi para o ilustrador Mauro Nakata desenhar os músicos – apenas linhas – em cima de uma foto que enviei. Na sequência, recortei e trabalhei com desenhos vetoriais que fui criando e com fotos de época do banco de imagem da editora.
A fotomontagem faz a alusão que queríamos e tenta chamar a coisa do humor inglês espirituoso do grupo, essa coisa gostosa do absurdo 60s, meio Monty Phyton, que tem tudo a ver com os Fab 4 (ao lado).
Coloquei a fotomontagem na mesma altura da tarja do abre: assim, o leitor abre a matéria e tem a impressão de observar dentro das quatro mentes liverpooldianas.
O resultado foi bacana e a gente aqui da redação ficou bem feliz no final, porque nossa matéria foi eleita como uma das melhores das edições de Men's Health do mundo naquele mês (Maio 2010), saindo inclusive na edição da África do Sul meses depois.

Wednesday, November 24, 2010

Nacionalizar páginas: um exercício

Revistas licenciadas, como a que trabalho - a Men's Health - geralmente precisam manter o padrão editorial das publicações "mães": Nova, Rolling Stone e Marie Claire são exemplos também.

No nosso caso, muitas vezes também compramos matérias de edições americanas e inglesas. Elas vem completas ou somente o texto - e a arte fazemos aqui.

Mas de maneira geral, é necessário adaptá-las ao nosso país tropical, o que resulta de muitas vezes em duas etapas: re-escrever as dicas, com médicos e especialistas brazucas (só aproveitando a pauta, por exemplo) e criar novos lay-outs para ela, com gente mais morena, cores veranis e alegres. E as nossas fontes de texto corrido, que costumam ser 2 ou 3 pontos maiores .

Para exemplificar o trâmite da coisa aqui na arte (mas o texto tem outro viés parecido), resolvi trazer uma matéria que está no meu Flickr, sobre sexo e verão.

O título original da inglesa é "The science of summer sex" e é ilustrada com mulheres nuas - porém sem o nosso "mojo" nacional e no projeto visual anterior ao adotado aqui no Brasil.


Enquanto a Carol Balro (nossa colega jornalista) estava às voltas com tradução e nacionalização de dados de pesquisas, fui lendo o texto original, o que me deu idéia para as fotos e tratamentos.

No meu primeiro estudo, quis passar uma coisa mais onírica, de sedução e química. Para isso, fiz montagens e utilizando o laranja do nosso projeto e brincando com o líquido que pela cor se parece por vezes com fogo (fazendo alusão à química e à coisa quente do verão). Esse lay-out recebeu o nome de "banho de fanta" da turma da arte aqui.
 


Nesse segundo, peguei mais pesado. Cores mais fortes e uma atitude mais provocativa da mulher.



Mas ai nosso diretor não aprovou e explicou: "O diferencial da nossa revista é que ela proporciona uma mulher real ao leitor, e não nessa aura de sonho."

O que nos restou foi procurar outra identidade para a matéria, que a essa altura, perdeu o lance de química na nacionalização do texto.

Fui atrás de imagens de praia, ao ar livre, de garotas mais próximas de uma namorada do leitor, uma girl next door. Já a paleta de cores resfrescantes (azul, verde e uma pitadinha da laranja), nós indicamos no tratamento de imagens, para que todas seguissem um padrão.

O resultado é esse aqui, veja:
 
Sentiram as sutilezas?